O CAMINHO PARA SER FELIZ É UMA QUESTÃO TÃO ÓBVIA, QUE TENTAMOS CRIAR DIFICULDADES PARA TRILHÁ-LO

felicidade

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Pouca gente dá valor aos clichês, pois eles são noções que, de tão usadas, viram “comuns” e “óbvias”. E o “óbvio” nunca é exaltado, pois estamos interessados somente naquilo para o qual não temos uma resposta. Porém, eis uma noção que é clichê ao mesmo tempo que zero óbvia: o dinheiro não compra a felicidade.

Posso falar isso com propriedade. Como a maioria das pessoas, apostei todas as fichas da minha felicidade no dinheiro. Não era feliz e usava o dinheiro como desculpa. Pensava: “Quando eu tiver 1 milhão na conta, aí sim eu serei feliz. Vou poder finalmente relaxar, trabalhar menos, comprar o que eu quiser e aproveitar tudo que eu comprar.”  

Pois bem… fiz meu primeiro milhão logo aos 23 anos. Seis anos depois, minha fortuna já passava dos R$10 milhões e continuou crescendo, até que, em 2012, eu dei uma grande festa para celebrar o feito de ter alcançado R$500 milhões de reais.

 

E nunca antes me senti tão vazio.

 

Mas eu sou só um caso. Precisa de mais exemplos de que não é a quantidade (e qualidade) das notas na carteira que fazem uma pessoa feliz? Nem a qualidade (e quantidade) dos seus bens? É só pensar: se fosse assim, como explicaríamos pessoas que notoriamente tinham até mais dinheiro do que eu e tiraram suas próprias vidas decorrente do abuso de substâncias alteradoras de humor? Se necessitavam destas drogas para se sentirem mais felizes – desconheço caso de pessoas que utilizavam drogas para se sentirem mais tristes – fica claro que o dinheiro não supriu essa necessidade, correto?

Deixe-me sacudir ainda mais sua linha de pensamento: já parou para pensar que a felicidade é um conceito de país pobre? Que os países mais desenvolvidos são os que registram mais casos de depressão e até suicídio? A noção de que a felicidade não está conectada ao dinheiro fica muito clara quando você pára pra conversar com alguém bem humilde, de uma área desprovida de dinheiro. Anos atrás, no sertão do país, conheci uma família de criadores de gado. Moravam numa casa sem luz e saneamento básico. Os 5 filhos, todos menores de idade, trabalhavam juntos ao Pai para conseguir, assim, chegar à renda de R$400 reais por mês. Um dia perguntei a ele “E o senhor é feliz?“, ao qual respondeu com um sincero sorriso banguela, “Todos os dias” “.

 

Portanto, com o “clichê” confirmado de que o dinheiro não compra a felicidade, passemos para a questão do “óbvio”: se não compra; quem compra? Como se obtém a felicidade?

 

A primeira coisa que temos que fazer é entender que felicidade não é um bem. Tanto de forma metafórica quanto objetiva. Perceba que nossa própria língua já faz essa distinção: felicidade é uma questão de estar e não de ter. Logo, nada compra a felicidade. Nem dinheiro, nem poder. Felicidade é um estado de espírito. Para ser feliz, basta estar feliz.

A teoria é simples; a prática complexa. Uma dos maiores dificuldades para sermos felizes é uma miopia emocional que nos faz olhar para o dinheiro – ou a forma física ou um relacionamento amoroso saudável… – tanto quanto meta, quanto como obstáculo. Estamos colocando no lugar errado a ênfase das nossas expectativas e isso é um erro crasso! Uma meta já deve ser degustada no momento em que você a traça, pois – e aí vai outro clichê – o que importa é a jornada e não o destino. É o ser e não o ter. A vitória não é diminuir 5kgs da sua silhueta! É viver a vida saudável que vai te levar à perda destes 5kgs. Os milhões na conta são apenas números e vírgulas; a verdadeira vitória são as dificuldades vencidas, os benefícios aos seus clientes e ao mundo proporcionados pelo seu trabalho. Conclusão: a consciência é a vitória! É o saber/entender que a felicidade é o jeito como vivemos nossas vidas e não um “prêmio” que se conquista após adquirir algumas riquezas (sejam elas financeiras ou não).

 

Sabe por quê?

Porque a felicidade não está no outro, num carro, numa quantia… está sim dentro de cada um de nós e, portanto, basta escolhermos vivenciá-la todos os dias de nossa vida. Somos os únicos responsáveis pela manutenção de nossa felicidade, independente dos fatores externos, pois, para cada fato que acontece à nossa vida, temos duas opções: ou lidamos com o acontecido da melhor maneira que podemos ou nos deixamos imobilizados por tal fato. É tão “óbvio” quanto isso mesmo: para ser feliz, basta você ser feliz. Felicidade é estar e não ter.

Deste modo, fazendo engenharia reversa, acredito até mais no contrário: a felicidade compra o dinheiro. Uma pessoa feliz, que não gasta nem o seu tempo, nem a sua energia com tristeza, tem muito mais chances de fazer dinheiro. De cativar pessoas a gastarem o seu dinheiro com ela.

Coloque a ênfase no lugar correto. Não deixe que sua meta seja também seu obstáculo. Valorize a jornada e não o destino, pois, no final das contas, quem define se alguém está ou não feliz é só uma pessoa: a própria.

Como ser feliz?

Façamos da nossa felicidade um clichê. Algo óbvio, vivido e repetido cada momento de nossa vida.

Leandro K